"You're only given a little spark of madness. You mustn't lose it."
by Robin Williams
Não sei se alguma vez o disse mas eu cá gosto de epígrafes. E mais do que isso nem sempre estou com grande imaginação ou paciência para histórias de fadas ou Homens. Às vezes gosto de falar – ou escrever – só porque sim. E gosto de frases feitas, o que não é politicamente correcto. Gosto delas como quem gosta de um
puzzle puído e triste a um canto. Ensinam-nos a viver, ou mesmo a renascer. Mas adiante, o homem é uma espécie de
louco disfarçado (isto, desculpem-me, fica melhor em inglês)
madman in disguise e nós, os psicólogos ou pelo menos psicólogos-prospectos (uma espécie de bolo já enformado mas por cozer), temos não só agora a obrigação como o prazer – tomara – de lidar com todos esses homens e mulheres com problemas. É ou não é um privilégio? Ao longo do dia, no café ou na rua (ou ao nosso lado agora mesmo) encontramos dezenas de pessoas. Aqui neste comboio
fashion vejo desde miúdos aflitos por liberdade a meninas com 25 anos de testa mas 10 de corpo, com calças a lembrar espartilhos de damas encarceradas e tez do pó-de-arroz de outrora. Faço
zoom. Dou por mim a entrar no tipo da frente. Que pensa ele? Que
SENTE ele? O que vive ele? Vejo-o, nervoso, a cofiar o telemóvel como se se tratasse de um touro adormecido ou um vulcão aceso e temperamental. Espera uma frase, talvez um voto esperançoso, um Amo-te ou um vou lá estar. Talvez espere a morte de alguém, talvez no próximo minuto todo o mundo lhe fuja e falte. Ou que ganhe o Euromilhões que me tem faltado. Ou talvez o telemóvel nada tenha a ver com o assunto. Algo que viu, que sentiu, que viveu. Não o sei. Ao navegar pelos meandros da cabeça à minha frente a trupe da
Carrinha Mágica. Mas pouco me interessa o aneurisma
wanna be que jaz ali no
occipital: vejo hologramas. E nos hologramas uma vida. E hoje à noite há miolos para o jantar. Quantas memórias comeremos? Mas isto são outros voos.
Escrevo hoje talvez para me convencer da maravilha que somos nós próprios. Podemos ser
cocktails de perturbações, mas somos Homens. E apesar de não termos (ainda) curado os cancros ou eliminado a pobreza no Mundo, fomos à Lua e vimos outros planteas e esperanças vãs tornadas febre autêntica. Num beijo vemos figuras - alucinamos, não é? - e num olhar promessas. Somos mini-psis, mini tudo, não escrevemos para um
Pulitzer ou um Nobel (sonha, meu estafermo, sonha): mas, diabo, somos únicos. Capazes. Humanos. E Amamos. Quem Ama pode tudo: a felicidade eterna ou o mais fundo desespero, o
Ying Yang que nos faz ser humanos. É uma roleta russa, mas o Homem abranda e avança. E para ajudar ao avanço lá vamos estando. Sejamos psicólogos ou ‘simples’ amigos.
(fotografia Copyright André Silva 2009. Todos os Direitos Reservados.)
2 comentários:
Enquanto eu sonho com o tal Nobel, o importante nao é saber (no fundo) o que pensa o outro. O que sente o outro. O que influencia o outro, por assim dizer. É nós querermos saber, é nós preocuparmo-nos o suficiente para dedicar um bocado do nosso tempo, do tempo que nós nos queixamos que nao chega, para esta com estas personalidades que de outra maneira talvez nao tivessem quem se preocupasse com eles, e cuja falta (a par de nós) apenas seria do tasqueiro que dava falta de uns trocos na caixa.
Somos nós crentes em Psicologia que levamos o Ser Humano a sério. Somos nós quem o considera pralem de humano, mas Pessoa! De uma forma arrogante, por momentos pensamos: "quem serão eles sem nós?" e respondo.. Sao eles proprios, mas com medo. Nós apenas servimos para lhes dizer que o que eles pensam, acham, fazem, sentem, é normal. Que nao existem mal naquilo que eles são. Que mesmo existindo uma réstia de mal, que eles já ultrapassaram isso, que existe uma vida nova pralem disso.
Somos nós quem limpa o quadro depois de um longo dia, quem, no fundo, lhes dá a segunda oportunidade. É terrivel para um amigo ser psicologo. Nao ser capaz de oferecer amizade incontrolavel para um outro ser humano (obviamente) necessitado, apenas por causa de um código de regras, que embora logico e essencial, frio e calculista.
Dado a escolha entre os dois, prefiro ser "simples" amigo, pelo menos até agora nao me tenho arrependido.. O mal, é quando se começa como conselheiro/psicologo e a meio se descobre que a preocupação é geniuna, e nao só uma necessidade de trabalho.
Sejamos Psicólogos ou simples amigos? Somos amigos porque somos Humanos!
obrigado pelo comentário, foi bonito! e acho que me vou sempre lembrar do 'somos nós quem limpa o quadro depois de um longo dia'
(peço a quem tenta comentar e que não consegue um pouco de paciência, por alguma razão isto anda complicado)
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